O documentário brasileiro “Um Lugar ao Sol”, dirigido por Gabriel Mascaro, é constituído de uma serie de entrevistas com pessoas que fazem parte da lista de “pessoas mais influentes no Brasil”. Todos os participantes moram na cobertura de seus edifícios e, apesar de serem de diferentes cidades brasileiras, idades, profissões e gêneros, os entrevistados , sem exceção, são de classe socioeconômica elevada, o que restringe muito o tipo de realidade abordada pelo filme. Ao decorrer do documentário, essas pessoas deixam claro um posicionamento preconceituoso e alienado em relação aos indivíduos de classes sociais menos favorecidas e seus modos de vida. Ainda nessa perspectiva de superioridade, muitos disseram que por estarem literalmente acima das outras pessoas se sentiam mais poderosos e, até mesmo, mais abençoados por Deus. Os participantes demostraram pouca sensibilidade em relação àqueles com menor poder aquisitivo, fossem trabalhadores domésticos, moradores de favelas ou mesmo banhistas nas praias. Em um dos relatos, uma mulher descreveu que conseguia apreciar os tiroteios que ocorriam na comunidade próxima ao seu apartamento, pelo fato de os disparos serem coloridos e pela situação se assemelhar a um espetáculo, com pessoas gritando e correndo de um lado para o outro. Esse é um exemplo claro da falta de consciência social compartilhada pelos entrevistados. Por fim, o documentário induz a uma reflexão acerca do caracter das pessoas que são consideradas influentes no país, denunciando uma realidade chocante que, de certa forma, é capaz de explicar o porquê de o Brasil ter tanta desigualdade social.
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