A arquitetura e as roupas apresentam, entre si, algumas características comuns. Pode-se citar a função de proteger os indivíduos contra as intempéries, como a chuva, o vento e o frio. Outro aspecto compartilhado por elas é a representação de um estilo artístico e pessoal do construtor de um edifício ou de quem usa a peça. Ambas também podem proporcionar a sensação de conforto e/ou desconforto ao usuário. Contudo, apesar de existirem aspectos semelhantes entre a arquitetura e as roupas, as diferenças entre elas, de modo geral, ganham maior destaque. Isso acontece, pois, mesmo no que se diz respeito aos pontos comuns, a intensidade dos efeitos causados pela arquitetura é normalmente maior do que a dos efeitos causados pelas roupas, o que não contribui para uma grande proximidade entre esses pontos. Exemplos que ilustram essa situação são a diferença de tempo e de mão de obra demandado para construção de cada uma e a maior durabilidade das obras arquitetônicas em relação as roupas. Alem disso, é preciso reconhecer a função social que cada uma desempenha. As roupas, na maioria das vezes, têm um importante papel na segregação social. Isso é, na sociedade atual, o jeito de se vestir é super estimado, ele se tornou uma forma de identificação da classe socioeconômica do indivíduo e aquele que não responde aos padrões pré-estabelecidos pela sociedade é julgado e, várias vezes, marginalizado por ela. Uma das questões que contribuem para tal é a limitada acessibilidade que a maioria das pessoas têm às roupas socialmente bem qualificadas, pois elas apresentam preço elevado. Por outro lado, a arquitetura tem um maior potencial para combater a desigualdade e a segregação social, apesar de nem sempre fazê-la. O que justifica essa afirmação é o fato de que a arquitetura tem a capacidade de criar espaços de inclusão social, como praças públicas, centros de entretenimento (teatros, cinemas, quadras esportivas, etc.), moradias populares, saneamento básico, entre outras edificações que proporcionam a melhoria da qualidade de vida. Assim, é possível concluir que as diferenças entre a arquitetura e as vestimentas estão principalmente relacionadas às funções sociais por elas desempenhadas.
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